sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Horários flexíveis e bons salários atraem recenseadores

Para o Censo 2010 foram contratados mais de 190 mil recenseadores pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de o contrato durar em média três meses, o emprego temporário pode ter sido uma boa opção para quem procurava aumentar a renda em horários alternativos. Os recenseadores são remunerados por produção e o salário mensal pode variar de R$800 a R$1.600.

O estudante Lucas Jansen aproveitou a chance para conseguir um dinheiro extra sem precisar comprometer seus estudos. Ele cursa a terceira fase de Engenharia Sanitária e Ambiental na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e tem conseguido conciliar os estudos com o trabalho. “É claro que ficou mais corrido, mas como posso escolher os horários do trabalho, não tenho grandes prejuízos na Universidade”, conta, empolgado. Em média, o recenseador trabalha quatro horas por dia, mas tem liberdade para programar seu horário. “Na semana passada trabalhei só três dias. Agora tenho que correr atrás do prejuízo para alcançar minha cota”, confessa.

Cada recenseador é responsável por um setor com uma determinada quantidade de residências a serem visitadas – em média, 300 domicílios. Ao completar essa cota, a remuneração é calculada (varia de R$800 a R$1.600) e o funcionário do Censo pode renovar seu contrato. Lucas Jansen ficou responsável por um setor do bairro Serrinha, próximo ao seu apartamento, em Florianópolis. Perto de completar sua cota, ele lembra que nem todos os moradores costumam ser educados. “Uma vez cheguei a uma casa em que o morador não quis me atender. Sua mulher acabou fazendo a entrevista, mas enquanto eu ia embora, o homem gritava: ‘Se você voltar aqui, vai dar merda! ’ Não entendi o motivo, mas ainda bem que não precisei voltar lá”, relembra, rindo, o estudante.

Professora sai da escola e vai para a informalidade

Ao som de uma canção dos Beatles tocada ao vivo na Concha Acústica, em frente ao Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, muitos estudantes descansam após o almoço sentados na grama. Há poucos metros dali, em lugar estratégico, Marilha Zanin tenta convencer com sotaque manézinho uma cliente a comprar livros infantis para suas filhas. “É a melhor coisa que tem, moça. Mesmo se elas não quiserem ler no começo, deixa na cabeceira da cama que uma hora elas vão gostar”, garante a vendedora, atrás de sua mesa coberta com livros e discos de vinil usados, e quadros pintados por ela.

Marilha Zanin conhece bem as crianças. Por 14 anos lecionou em escolas municipais e estaduais de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental. Como professora substituta, ganhava pouco mais que 500 reais. Somados o baixo salário com a rotina desgastante, decidiu ganhar a vida na rua, no trabalho informal. Durante a semana, ela leva sua barraquinha para o centro, Agronômica, Santo Antônio Lisboa e Trindade. “Aqui na Universidade o melhor dia é quarta, porque sempre reúne muita gente aqui com esses shows” conta, apontando para a Concha. Apesar disso, é em Santo Antônio de Lisboa onde Zanin consegue atrair mais clientes. “Lá eu consigo montar uma barraca maior e meus quadros ficam mais à vista. As pessoas chegam perto para dar uma olhada e acabam comprando alguma coisa”, conta com alegria.

O sorriso da senhora só diminui quando se lembra do início de seu trabalho informal, quatro anos atrás. Ela conta que, apesar de ter carro, tinha medo de dirigir e carregava suas mercadorias com um carrinho-de-mão. Hoje os principais problemas são a chuva e saber escolher que tipo de livro ou disco levar para cada bairro. “Tem dia que vendo só trinta reais. Não pago nem a gasolina”, lamenta. Quando professora, Marilha Zanin ganhava melhor, mas ela se diz feliz com a nova rotina, especialmente porque consegue tempo livre para pintar seus quadros. Ao se despedir, a simpática senhora mostrou-se bem adaptada como vendedora. “Ah, moço, aparece aqui semana que vem que vai ter mais livro. E também se tu tiveres algum que queira trocar, aparece aí, tá?” finalizou, com o típico sorriso do bom vendedor.

Surfistas invadem São Francisco

No feriado prolongado de sete de setembro, as ondas da Prainha, em São Francisco do Sul, receberam 160 surfistas de todo o Brasil para duas competições – Hurley Pro Junior, penúltima etapa da seletiva sul-americana para o campeonato mundial sub-20 e Oakley Santa Catarina Surf Pro, válido pelo circuito catarinense de surfe profissional. O tempo ensolarado e as ondas de um metro com formação regular atraíram cerca de 15 mil pessoas para a cidade, incluindo competidores, turistas e veranistas (donos de casa na praia). Os dois eventos foram organizados pela Associação Francisquense de Surf (AFS) e Federação Catarinse de Surf (Fecasurf).

O Hurley Pro Junior aconteceu de 3 a 5 de setembro e teve como campeão o paulista Miguel Pupo, que já havia ganhado duas das três etapas seletivas. Com a vitória na Prainha, Pupo se isolou no ranking que leva os quatro melhores surfistas sul-americanos de até 20 anos para o Mundial na Indonésia e Austrália no fim do ano. E no campeonato catarinense, que aconteceu de 6 a 8 de setembro, a vitória também foi de um jovem paulista – Jessé Mendes que, três dias antes ocupara o terceiro lugar no pódio do Pro Junior. Para a AFS, aproveitar o feriadão para realizar dois campeonatos em sequência foi um sucesso. “Os dois eventos tiveram atletas de alto nível e alguns deles puderam competir duas vezes”, afirma o diretor social da associação, Bruno Gama.

Além de todos os espectadores que puderam assistir às baterias na areia da praia, os campeonatos também tiveram audiência pela web. “Via internet, puderam ser acompanhados por pessoas do mundo inteiro. Isso ajuda na divulgação do turismo da cidade”, expõe Gama. Para o próximo ano na Prainha, a AFS e a Fecasurf pretendem voltar a organizar uma etapa da divisão de acesso do surfe mundial, o WQS, que depois de 2008 deixou de acontecer em São Chico. Segundo Bruno Gama, as ondas da praia atendem aos padrões exigidos, mas a falta de patrocínio da iniciativa pública e os problemas com infraestrutura dificultam a realização de competições mais importantes como o WQS.

Universitários procuram programas de intercâmbio

Trabalhar, aprender outro idioma e conhecer outro país é o que cada vez mais estudantes procuram fazer nas férias. O programa de intercâmbio conhecido como Work & Travel atrai universitários que desejam morar três meses no exterior e não se importam em ter que trabalhar lavando louças ou arrumando quartos de hotel, por exemplo. A remuneração para esses empregos pode até ser o suficiente para pagar a viagem e voltar com lucro para o Brasil ou fazer turismo pelo país estrangeiro. O destino mais comum é os Estados Unidos, especialmente os estados da Flórida, na costa leste; Utah, Vermont e Colorado, famosos pelas estações de esqui.

Existem basicamente três opções de programa. Na mais barata delas, o participante é quem deve ir procurar trabalho; pode começar com contatos ainda no Brasil ou ir atrás quando já estiver no destino, porém deve conseguir um vínculo empregatício em no máximo um mês para validar o visto, caso contrário é obrigado a voltar. As outras duas opções oferecem mais segurança. Uma consiste em o participante viajar com um emprego garantido pela agência e na outra o estudante participa de feiras de emprego promovidas pela empresa de viagem, onde tem a chance de ter contato direto com os empregadores estrangeiros antes de viajar.

O estudante de administração Gabriel Cidral, 19, já tem destino certo para suas férias. Ele e mais quatro amigos viajarão para a cidade de Park City, noroeste dos Estados Unidos. “Nossa intenção é trabalhar três meses e conseguir dinheiro para viajar pela costa oeste, especialmente pela Califórnia.” O grupo vai viajar sem emprego garantido, mas está ciente do que os espera. “O primeiro mês vai ser complicado. Vou procurar o dia inteiro por qualquer emprego. Depois, com trabalho garantido e visto validado, as coisas vão se ajeitando”, imagina o universitário.

Apesar de a grande maioria dos estudantes irem para os Estados Unidos e trabalhar com remuneração, existem casos à parte. Os estudantes de Relações Internacionais Gustavo Ziemath, 20, e Camila Batalha, 19, viajarão para Ucrânia e Polônia, respectivamente e farão trabalho voluntário. Batalha acredita que, profissionalmente, a experiência será mais válida do que um Work & Travel convencional. Ela dará aula para crianças e adolescentes sobre assuntos como finanças e liderança. “Acredito que na universidade, vale a pena pensar mais no aprendizado.” Além disso, ela argumenta que a imersão em um idioma completamente diferente será mais interessante, já que o inglês está presente no cotidiano universitário. Nesse programa de intercâmbio com trabalho voluntário o participante não precisa pagar custos de hospedagem e alimentação.

O pré-requisito que a maioria das empresas ou associações de intercâmbio exige são: estar cursando pelo menos o segundo semestre de um curso universitário, ter conhecimento intermediário no idioma do país de destino e disposição para enfrentar as adversidades.

UFSC vence Intermed Sul

Os alunos de Medicina da UFSC foram os campeões dos Jogos Sul-Brasileiros de Escolas Médicas (Intermed Sul), realizados na Universidade Extremo Sul Catarinense (Unesc), em Cricíuma e que contou com a participação de mais de quatro mil estudantes de 27 universidades do sul do país. A equipe de Florianópolis terminou as competições com 289 pontos, seguida pela UFPR e UFRGS com 169 e 168 pontos respectivamente. Essa foi a décima quinta edição dos jogos e o quarto título dos catarinense, que só perdem para a UFPR, com oito.

O estudante João Paulo Picasky cursa a segunda fase de Medicina da UFSC e foi pela primeira vez ao Intermed. “Foi uma experiência indescritível: a rivalidade saudável entre as universidades, os jogos, as festas...E, claro, a UFSC ter ganhado foi a cereja do bolo”, conta, empolgado, o estudante. As modalidades praticadas no evento foram futebol, futsal, vôlei de quadra e areia, basquete, handebol, natação, atletismo e tênis, mas para a grande maioria dos alunos o que mais marcou foram as festas e a integração entre as diferentes universidades.

A delegação da UFSC contou com aproximadamente 300 pessoas. Os estudantes ficaram alojados nas dependências da Unesc e, assim como a alimentação de três vezes ao dia e segurança, o alojamento foi providenciada pela organização do Intermed. “Não tenho do que reclamar da organização. Não tiveram brigas e não faltou comida, apesar dos quatro mil participantes”, reconhece Picasky.

Estudante se perde na Oktoberfest

Quem esteve perto da UFSC ou andou pelas ruas do centro de Florianópolis na tarde do último sábado, 16, percebeu uma movimentação pouco habitual – jovens com caneca na mão e várias vans estacionadas esperando os passageiros para viajar até Blumenau. Neste dia 83 mil pessoas passaram pelo Parque Vila Germânica. Em meio a tantas pessoas e tanta cerveja, desencontros são frequentes. Depois de procurar e não achar o pessoal da van que o levou à Oktoberfest, o estudante Gabriel Ristow, 19, percebeu que teria que arranjar outra forma para voltar para casa.

Às 5h da tarde – uma hora depois do combinado – a van com apenas dois conhecidos saiu da avenida Beira-Mar e partiu para o vale do Itajaí. A viagem durou praticamente três horas. Antes de entrar nos pavilhões da festa, o grupo ainda enfrentou mais quase uma hora de fila. “Depois que entrei, fiquei mais ou menos uma hora com uns amigos. A partir daí, tive que andar sozinho pela festa” conta Ristow. Todavia, o estudante diz que a noite não foi pior porcausa disso. Segundo ele, o ambiente estava em um clima tão agradável que a falta de conhecidos não atrapalhou a diversão. “Acabei conhecendo muita gente nova.”

O problema foi que a animação de Ristow foi tanta que ele nem percebeu o horário que devia ter saído para encontrar a van, 5h da manhã. “Quando percebi já eram 6h e 20. Me atrapalhei com o horário de verão.” Como se não bastasse, o folião teve mais um problema: a bateria do seu celular acabou no meio da madrugada. Outro passageiro da van, Glauco Raposo, 19, conta que tentou ligar para Ristow umas vinte vezes. Depois de esperar e procurar pelo passageiro por 50 minutos, a van voltou com um a menos para Florianópolis.

Felizmente, Gabriel Ristow conseguiu encontrar um conhecido pouco antes das 6h e 30 da manhã. “Eu até já tinha planejado pegar um táxi para rodoviária e de lá um ônibus para Floripa, mas foi muita sorte e muito melhor encontrar um amigo”, confessa. A carona o levou até Balneário Camboriú, onde dormiu até as 5h e 30 da tarde na casa do colega. Chegou em Florianópolis por volta das 8h da noite, 12 horas depois do planejado.