quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Universitário reclama por ter sido mesário

Domingo de sol e véspera de feriado em São Francisco do Sul – nada melhor do que ir para a praia. Porém, em dia de eleição, os mesários não tem essa alternativa. É o caso do estudante de odontologia Arthur Truppel, 18, que depois de cumprir as dez horas como 2º mesário na seção 119 do Colégio Francisquense, está decidido: “vou me filiar a um partido político”, sentencia. Para as eleições de 2010, a Justiça Eleitoral contou com 2.181.622 mesários. Destes, cerca de 56 mil em Santa Catarina, distribuídos pelas 14 mil seções eleitorais do Estado.

Um dos 56 mil, Truppel sentiu-se um grande azarado quando, mais de um mês antes das eleições, recebeu a correspondência de convocação. “Meu irmão me ligou contando, mas pensei que era brincadeira. Quando cheguei em casa a decepção foi grande”, lembra o estudante que trabalhou nos dois turnos das eleições, das 7h até as 17h. Segundo ele, o mais irritante é ter que aturar a falta de respeito de alguns eleitores. O mesário contou que uma senhora chegou à sala sem ter certeza de qual seção votava e pediu para que o nome dela fosse procurado no caderno dos eleitores. “A mesária que trabalhou comigo procurou, mas não encontrou o nome. Pedimos para ela procurar em outra seção”, conta Truppel. Alguns minutos depois, a mulher voltou gritando e, depois de achar seu nome no caderno, empurrou-o sobre a outra mesária. “Fiquei indignado e respondi: ‘senhora, nós estamos ganhando muito bem para ter que aturar teu desaforo, né?’”, ironizou Truppel.

A gratificação para os mesários é a dispensa de dois dias de trabalho para cada um trabalhado nas eleições, além de um vale-refeição no valor de 20 reais. “Se divulgassem que a gente ganha 20 reais por dia, algumas pessoas fariam fila para se voluntariar” supõe, indignado, o estudante. No Brasil, 402.955 cidadãos inscreveram-se voluntariamente para trabalharem como mesário, cerca de 18% do total.

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